Como melhorar a segurança online nas escolas

Como as escolas podem melhorar a segurança online: um guia para educadores

Plataformas de ensino, pesquisas, vídeos e ferramentas de inteligência artificial fazem parte da rotina de muitos estudantes. Nesse contexto, a segurança online nas escolas exige orientação aos alunos, capacitação dos educadores e medidas técnicas para proteger a navegação e os dados da instituição. Com esses cuidados, a tecnologia pode apoiar o aprendizado com menos riscos para a comunidade escolar.

A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, do CGI.br, mostra que 92% das crianças e dos adolescentes brasileiros de 9 a 17 anos eram usuários de internet, o equivalente a 24,5 milhões de pessoas. Essa presença, porém, não significa que todos saibam reconhecer golpes, proteger informações pessoais ou lidar com situações de violência online.

Saber utilizar um aplicativo é diferente de compreender os riscos envolvidos. Uma mensagem aparentemente enviada pela escola, uma oferta de benefício em um jogo ou o compartilhamento de uma fotografia podem exigir decisões para as quais os estudantes ainda precisam de orientação.

Por isso, a segurança online deve fazer parte do trabalho conjunto entre escola, família e equipe de TI, com ações adequadas à idade dos alunos e às necessidades de cada ambiente.

Qual é o papel da escola?

A escola tem um papel importante na formação de hábitos digitais seguros. Isso envolve ensinar os estudantes a avaliar informações, respeitar outras pessoas, proteger seus dados e pedir ajuda quando encontrarem algo suspeito ou desconfortável.

Também cabe à instituição organizar o uso da tecnologia em suas atividades. Professores, coordenação, direção e TI precisam saber quais ferramentas podem ser utilizadas, quais informações exigem proteção e quem deve receber relatos de incidentes.

Essa responsabilidade deve aparecer na rotina: na escolha das plataformas educacionais, nas regras do laboratório, na comunicação com as famílias e no acolhimento de alunos que enfrentam problemas na internet.

A restrição ao uso de celulares também precisa ser considerada. A Lei nº 15.100/2025 proíbe o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais por estudantes durante aulas, recreios e intervalos na educação básica, preservando o uso pedagógico orientado e as exceções previstas, como acessibilidade, inclusão e condições de saúde. A lei também prevê ações de formação e acolhimento relacionadas aos efeitos do uso imoderado desses dispositivos.

Assim, mesmo com regras mais restritivas para celulares, a educação para o uso seguro da internet continua necessária.

A importância da segurança online no ambiente escolar

A segurança digital nas escolas envolve tanto a proteção dos estudantes quanto a continuidade das atividades pedagógicas e administrativas.

A instituição armazena dados como nomes, endereços, documentos, registros acadêmicos e informações de saúde. O acesso indevido a esses dados pode expor alunos e responsáveis, facilitar fraudes e comprometer a confiança na escola.

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) determina que o tratamento de dados de crianças e adolescentes observe seu melhor interesse. Na prática, a escola precisa avaliar quais informações coleta, por que precisa delas, quem pode acessá-las e como serão protegidas.

O ECA Digital, Lei nº 15.211/2025, em vigor desde 17 de março de 2026, também integra esse contexto de proteção. A legislação estabelece regras para produtos e serviços digitais direcionados a crianças e adolescentes ou de acesso provável por esse público. Para a gestão escolar, isso torna ainda mais relevante avaliar as ferramentas utilizadas pelos alunos e compreender as responsabilidades envolvidas.

Para aprofundar o assunto, confira o artigo ECA Digital: o que muda para escolas e TI.

Além dos cuidados com os dados, a escola precisa reduzir a exposição a páginas falsas, conteúdos impróprios e situações de violência digital. Orientação, regras claras e proteção técnica devem funcionar em conjunto, respeitando a privacidade e as necessidades pedagógicas.

O que deve ser feito para aumentar a segurança na internet dentro do ambiente escolar?

A segurança online precisa ser traduzida em ações que professores, estudantes e equipes administrativas consigam aplicar. Veja algumas medidas importantes.

Capacitação dos educadores

Os educadores precisam de condições para reconhecer situações de risco e orientar os alunos sem depender de conhecimento técnico avançado.

A formação pode abordar situações concretas, como:

  • Uma mensagem que solicita a senha da plataforma escolar.
  • Um aluno que relata exposição em um grupo de mensagens.
  • Uma ferramenta que pede dados pessoais para liberar uma atividade.
  • Uma imagem manipulada que circula entre colegas.
  • Uma resposta de inteligência artificial que apresenta informações incorretas.

O uso de IA já merece espaço nessa preparação. Na TIC Kids Online Brasil 2025, 59% dos usuários de internet de 9 a 17 anos relataram utilizar IA generativa para pesquisas escolares ou estudos.

A escola pode estabelecer orientações sobre quando essas ferramentas são permitidas, como conferir as respostas e quais informações não devem ser inseridas nelas. Dados pessoais de estudantes, documentos internos e informações confidenciais precisam de cuidado especial.

Uma capacitação útil também esclarece os encaminhamentos: o professor precisa saber quando procurar a coordenação, acionar a TI ou envolver os responsáveis.

A exposição de dados deve ser discutida

Conversas sobre privacidade devem incluir situações próximas da realidade dos alunos: publicação de fotografias, compartilhamento de localização, perfis públicos, jogos online e pedidos de informações por desconhecidos.

Ofertas de moedas virtuais, prêmios ou vantagens em jogos podem ser usadas como pretexto para solicitar senhas, códigos de autenticação ou acesso a contas. Ensinar os estudantes a desconfiar dessas solicitações ajuda a desenvolver autonomia para reconhecer riscos.

A orientação também vale para os profissionais da escola. Antes de divulgar imagens, listas de alunos ou registros de atividades, é necessário considerar a finalidade, o público e os cuidados com os dados envolvidos.

Algumas práticas ajudam no dia a dia:

  • Evitar a divulgação pública de documentos e listas com dados pessoais.
  • Revisar as permissões de arquivos compartilhados.
  • Conferir o destinatário antes de enviar informações.
  • Utilizar os canais institucionais definidos pela escola.
  • Evitar inserir dados de alunos em serviços não avaliados pela instituição.

A proteção de dados depende tanto das ferramentas utilizadas quanto das decisões de quem acessa e compartilha essas informações.

O Cyberbullying é uma realidade e deve ser discutido

Humilhações em grupos, perfis falsos, ameaças e divulgação de imagens podem atingir a convivência escolar mesmo quando começam fora da instituição.

O tema precisa ser tratado com seriedade. A Lei nº 14.811/2024 incluiu o bullying e o cyberbullying no Código Penal, reforçando a importância da prevenção e da resposta a essas situações.

Na escola, o trabalho deve incluir regras de convivência digital, canais de relato e procedimentos de acolhimento. O aluno precisa saber a quem recorrer e ter segurança para pedir ajuda.

É importante orientar os estudantes a não participar de ataques, não ampliar a circulação de conteúdos ofensivos e procurar um adulto de confiança. A resposta da instituição deve proteger os envolvidos e evitar novas exposições.

Utilizar um método de pesquisa seguro

Pesquisar com segurança envolve avaliar tanto a confiabilidade da informação quanto o endereço acessado.

Antes de usar um conteúdo em uma atividade, alunos e professores podem verificar autoria, data, referências e confirmação em outras fontes. Uma página bem apresentada ou uma resposta convincente de IA pode conter erros.

Também é recomendável acessar plataformas escolares por endereços oficiais e evitar downloads oferecidos por páginas desconhecidas.

Na rede da escola, recursos de busca protegida e filtragem de navegação podem ajudar a reduzir a exposição a resultados impróprios e domínios maliciosos. A escolha dos filtros deve considerar a faixa etária, o objetivo da atividade e a necessidade de liberar materiais legítimos.

Quais as principais armadilhas digitais que podem aparecer no ambiente escolar?

As ameaças podem atingir alunos, professores, funcionários e responsáveis. Conhecer os principais riscos ajuda a identificar sinais de alerta e organizar a resposta.

Golpes de phishing

O phishing utiliza mensagens e páginas falsas para induzir a vítima a fornecer informações, realizar pagamentos ou instalar arquivos maliciosos.

No contexto escolar, o golpe pode se apresentar como uma atualização de cadastro, um aviso de bloqueio da conta ou uma cobrança enviada em nome da instituição.

Antes de agir, a orientação é conferir o endereço do remetente e o destino dos links. Solicitações inesperadas devem ser confirmadas por outro canal conhecido. Senhas e códigos de autenticação não devem ser enviados em resposta a mensagens.

Ransomware

O ransomware é um tipo de código malicioso que pode tornar arquivos e sistemas inacessíveis, geralmente por criptografia, seguido de uma cobrança para restabelecer o acesso.

Em uma escola, um incidente pode interromper o acesso a registros acadêmicos, documentos administrativos e materiais pedagógicos.

As medidas de prevenção incluem atualizações de segurança, proteção dos dispositivos e atenção a links e anexos. Backups atualizados, protegidos e testados são essenciais para a recuperação, e o pagamento de resgate não garante a devolução do acesso aos dados.

A instituição também deve definir quem será acionado se houver suspeita de infecção, para que a resposta não dependa de improviso.

Pornografia e conteúdo violento

A proteção dos alunos exige atenção ao conteúdo acessado em pesquisas, vídeos, jogos e plataformas utilizadas nas atividades.

A escola pode combinar seleção prévia de materiais, acompanhamento das atividades e bloqueio de categorias inadequadas à faixa etária. Também precisa oferecer um caminho de acolhimento quando um estudante encontrar algo perturbador.

Filtros ajudam a reduzir a exposição, mas o acompanhamento dos educadores continua necessário, especialmente em serviços que reúnem diferentes tipos de conteúdo no mesmo ambiente.

Uma política de utilização segura da internet é essencial

Uma política de uso da internet organiza as expectativas da escola e orienta as decisões de alunos e profissionais.

O documento deve explicar quais recursos podem ser utilizados, em quais situações e como agir diante de problemas. Para os estudantes, as orientações precisam ser apresentadas em linguagem adequada à idade e retomadas durante o ano letivo.

Alguns pontos importantes são:

  • Compartilhe com cuidado: avalie antes de publicar fotografias, localização ou informações sobre você e outras pessoas.
  • Confirme antes de clicar: desconfie de prêmios, pedidos urgentes e mensagens que solicitam informações ou pagamentos.
  • Proteja suas contas: utilize senhas diferentes e ative a verificação em duas etapas quando disponível.
  • Respeite outras pessoas: não participe de humilhações, ameaças ou divulgação de imagens sem autorização.
  • Use as ferramentas autorizadas: siga as orientações da escola para plataformas educacionais e inteligência artificial.
  • Peça ajuda: procure um adulto de confiança diante de dúvidas, ameaças ou situações desconfortáveis.

As recomendações sobre senhas, autenticação e cuidado com mensagens também fazem parte das orientações do CERT.br para proteger contas e informações pessoais.

Para a equipe escolar, a política deve indicar quem revisa as regras, quem recebe relatos e como solicitar a liberação de um recurso necessário à aula. Isso evita que um bloqueio inadequado interrompa uma atividade sem um caminho de solução.

Conte com toda ajuda que puder!

Materiais educativos podem facilitar as conversas sobre segurança online. A escolha deve considerar a idade dos alunos, a acessibilidade e os objetivos da atividade.

Programa Seja Incrível na Internet

O programa Seja Incrível na Internet, do Google, reúne recursos gratuitos para trabalhar segurança e cidadania digital com crianças.

Seus cinco princípios são:

  1. Compartilhe com cuidado.
  2. Não caia em armadilhas.
  3. Proteja seus segredos.
  4. É legal ser gentil.
  5. Na dúvida, fale com alguém.

Os materiais podem apoiar atividades sobre privacidade, identificação de golpes e convivência online.

Jogo Interland

O Interland apresenta desafios relacionados ao compartilhamento de informações, à identificação de armadilhas, à proteção de segredos e à gentileza na internet.

Após o jogo, o educador pode conversar com a turma sobre situações semelhantes no cotidiano e quais atitudes ajudariam a resolvê-las.

jogo interland

Currículo do Seja Incrível na Internet

O currículo para educadores reúne planos de aula e atividades sobre os cinco temas do programa.

A escola pode distribuir essas atividades ao longo do ano e relacioná-las a situações observadas na turma, evitando concentrar o assunto em uma única ação.

segurança online

Compromissos de segurança online

Ao concluir as atividades, a turma pode construir um acordo coletivo com atitudes que pretende adotar.

Esse compromisso pode incluir respeitar colegas, proteger informações pessoais, verificar mensagens suspeitas e procurar ajuda. Um cartaz elaborado pelos próprios alunos ajuda a manter os combinados presentes na rotina.

O acordo deve servir como ponto de partida para novas conversas e ser revisto quando surgirem dúvidas ou situações diferentes.

Atividades em sala de aula

A página de atividades do Seja Incrível na Internet disponibiliza apresentações, guias e materiais para impressão.

Para complementar o trabalho, os educadores podem propor:

  • Analisar mensagens fictícias e identificar sinais de golpe.
  • Comparar uma informação com diferentes fontes.
  • Discutir quais dados devem permanecer privados.
  • Simular como pedir ajuda diante de uma situação desconfortável.
  • Elaborar combinados para os grupos de comunicação da turma.

Nas simulações, utilize nomes, contas e informações fictícias para evitar a exposição de estudantes.

Revistas e materiais educativos

Histórias em quadrinhos e atividades ilustradas podem tornar as conversas mais acessíveis. O acervo de revistas especiais da Turma da Mônica pode ser consultado para selecionar materiais pertinentes ao trabalho da turma.

Outra opção são os materiais educativos da SaferNet Brasil, com conteúdos sobre privacidade, comportamento online e segurança digital.

O Portal da Cartilha de Segurança para Internet, do CERT.br, também reúne orientações e indica materiais voltados a crianças e responsáveis.

A Lumiun Também pode te acompanhar nessa jornada!

Além da orientação aos alunos, a escola precisa de recursos para aplicar suas regras de navegação.

O Lumiun DNS para escolas é uma solução de segurança DNS e filtro de navegação que permite bloquear domínios maliciosos e categorias inadequadas ao ambiente educacional.

A solução verifica o domínio solicitado e aplica a política definida pela instituição antes do carregamento do site. Entre as possibilidades estão:

  • Bloquear categorias como pornografia, apostas, jogos e violência.
  • Reduzir o acesso a domínios associados a phishing e malware.
  • Aplicar busca protegida em mecanismos compatíveis e YouTube Restrito.
  • Criar políticas para diferentes ambientes e perfis, conforme a configuração adotada.
  • Organizar permissões e exceções.
  • Acompanhar relatórios de consultas e bloqueios.
  • Administrar as políticas em um painel em nuvem.

Por exemplo, o laboratório pode seguir regras adequadas às atividades supervisionadas, enquanto professores e administração utilizam políticas compatíveis com suas necessidades.

A implantação deve considerar a estrutura da rede e os recursos educacionais utilizados. A filtragem DNS complementa o trabalho pedagógico e as demais medidas de segurança, como proteção dos dispositivos, backups e controle de acesso aos sistemas.

Na experiência publicada da JC Help, que atende ambientes escolares, José Costa destaca:

“A simplicidade e eficácia do Lumiun DNS transformaram nossa abordagem em segurança e controle de acesso nas escolas.”

Você pode conhecer os detalhes no caso da JC Help com o Lumiun DNS.

Para avaliar como aplicar essas medidas na sua instituição, conheça o Lumiun DNS para escolas e veja como organizar uma navegação mais segura para alunos, professores e equipes administrativas.

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