A cibersegurança corporativa deixou de ser só uma questão técnica para se tornar peça-chave do negócio. Em 2026, empresas que sabem proteger seus dados, gerenciar identidades e usar inteligência artificial de forma esperta ganham resiliência, trabalham melhor e conquistam a confiança de clientes e parceiros.
Neste artigo, você vai encontrar as 5 tendências que estão mudando o jogo em cibersegurança, dados do Brasil e do mundo, e dicas práticas para transformar ameaças em oportunidades de crescimento.
O cenário de ameaças que define 2026
A segurança corporativa está mudando muito. O antigo conceito de “perímetro de rede” evoluiu. Hoje temos um ambiente distribuído, onde identidades, apps na nuvem e cadeias de fornecedores digitais criam novos desafios (e oportunidades).
No Brasil, os setores que mais sofrem com violações são:
- Saúde: R$ 11,43 milhões
- Finanças: R$ 8,92 milhões
- Serviços: R$ 8,51 milhões
Empresas que adotam segurança moderna não só reduzem riscos, elas ganham agilidade e confiança do mercado.

Principais mudanças desde 2025
O último ano acelerou tendências que já vinham ganhando força. O trabalho híbrido se consolidou em muitas empresas, e isso reforçou a necessidade de modelos de segurança que funcionam de qualquer lugar. A integração entre sistemas através de APIs criou ambientes mais ágeis, mas também mais conectados (e mais vulneráveis).
A inteligência artificial deixou de ser coisa de filme futurista e virou ferramenta do dia a dia tanto para quem defende quanto para quem ataca. É uma corrida de inovação dos dois lados.
As regulamentações de privacidade também amadureceram bastante, estabelecendo padrões mais claros. Compliance deixou de ser só obrigação e virou oportunidade de se destacar. Empresas que demonstram maturidade em segurança conquistam vantagens reais em negociações e parcerias.
1. Extorsão digital sem criptografia: repensando a proteção de dados
O ransomware está evoluindo de um jeito que exige respostas mais espertas. Por anos, a tática principal era criptografar tudo e cobrar resgate. Hoje, os grupos especializados estão mudando de estratégia: eles roubam seus dados silenciosamente e ameaçam divulgar tudo.
Isso nos ensina algo importante: ter backups robustos é essencial, mas não resolve tudo. Em 2026, proteção efetiva significa ter visibilidade profunda sobre dados sensíveis, controles de acesso bem ajustados e capacidade de detectar movimentações estranhas antes que informações críticas saiam da empresa.
Como funcionam os novos ataques e o que isso significa
Os ataques modernos priorizam passar despercebido. Os invasores entram através de senhas roubadas (o vetor mais comum segundo o relatório Verizon 2025) e ficam ali, quietinhos, por semanas ou meses. Nesse tempo, eles mapeiam o ambiente e roubam os dados mais valiosos aos poucos.
Mas aqui tem uma oportunidade: quanto mais tempo o atacante precisa ficar no seu ambiente, mais chances você tem de pegá-lo. Organizações que investem em monitoramento contínuo estão transformando essa janela de tempo em vantagem.
Estratégias de proteção que funcionam
A resposta efetiva combina várias camadas. Primeiro, classifique seus dados sensíveis para saber onde concentrar esforços. Depois, use ferramentas modernas de Data Loss Prevention (DLP) integradas com análise de comportamento. Elas conseguem identificar tentativas de roubo mesmo quando feitas aos poucos.
A proteção na camada DNS complementa essas estratégias ao atuar no canal de comunicação, filtrando requisições de resolução de nomes, bloqueando domínios maliciosos e dificultando a conexão com sites de phishing e infraestruturas de comando e controle.
Segmentação de rede também ajuda demais se um atacante entrar, ele não consegue passear livremente por tudo. E gestão rigorosa de privilégios cria vários pontos de resistência.
Dados do relatório IBM Cost of a Data Breach 2025 mostram o impacto: empresas brasileiras com boa capacidade de detecção reduzem custos e aceleram a recuperação. Implementar inteligência de ameaças economiza em média R$ 655.110, e usar tecnologias de governança de IA poupa R$ 629.850. Investir em detecção compensa.
2. Gestão de identidades como fundamento estratégico
A identidade virou o novo perímetro de segurança. Com trabalho distribuído, apps na nuvem e sistemas híbridos, cada credencial de pessoa ou de sistema é um ponto de acesso que precisa ser bem gerenciado.
A oportunidade das identidades não-humanas
Aqui tem um dado que surpreende: sua empresa hoje tem muito mais “usuários digitais” do que pessoas. Estamos falando de APIs, serviços automatizados, bots e dispositivos IoT, tudo que precisa de credenciais para acessar sistemas e dados.
Para dar uma ideia: em algumas organizações, existem 144 dessas identidades automáticas para cada pessoa. E esse número cresce 44% por ano.
Por quê? Quanto mais você automatiza processos, mais “contas de máquina” você cria. E aí está o desafio: essas identidades precisam do mesmo nível de gestão e segurança que as contas humanas recebem.
Empresas que fazem isso bem ganham não só segurança, mas eficiência. Senhas trocadas automaticamente, acessos ajustados conforme a necessidade real, visibilidade completa de tudo que está rolando.
Senhas como ponto de alavancagem
O relatório Verizon 2025 confirma: senhas roubadas são a porta de entrada mais comum. Mas isso aponta pra uma solução clara: fortalecer a autenticação oferece um dos melhores retornos em segurança.
Autenticação multifator (MFA), principalmente em contas com privilégios altos, reduz muito o risco. As soluções modernas são cada vez mais transparentes pra quem é de verdade, enquanto bloqueiam tentativas suspeitas.
Análise de comportamento permite detectar quando senhas válidas estão sendo usadas de forma estranha: acessos de lugares diferentes, horários incomuns, padrões que não batem com o histórico. Isso transforma senhas de ponto fraco em fonte de inteligência.
Zero Trust: evolução, não revolução
O modelo Zero Trust é basicamente a evolução natural da segurança. Em vez de confiar automaticamente em tudo que está “dentro da empresa”, cada acesso é validado continuamente.
Implementar Zero Trust não significa jogar tudo fora e começar do zero. As empresas que fazem isso bem adotam uma abordagem gradual: começam por áreas críticas, provam que funciona, refinam e vão expandindo.
O benefício vai além de segurança. Ambientes Zero Trust bem feitos normalmente oferecem melhor experiência para os usuários legítimos, com validações mais inteligentes e menos fricção desnecessária.
3. Observabilidade avançada: de reativo para proativo
A mudança de monitoramento tradicional para observabilidade avançada é uma das transformações mais importantes em segurança. Não é só detectar problemas conhecidos, mas entender profundamente o ambiente para identificar sinais sutis de comprometimento.
Além dos alertas: compreensão contextual
Sistemas tradicionais de SIEM têm seu lugar, mas funcionam reagindo principalmente a eventos conhecidos. Observabilidade avançada vai além, com análise comportamental que aprende o que é “normal” para cada parte do ambiente.
Machine learning identifica padrões impossíveis de codificar em regras: volumes típicos de tráfego, sequências usuais de ações, relacionamentos entre sistemas, horários padrão. Desvios dessas linhas de base, principalmente quando aparecem juntos, sinalizam situações que merecem atenção.
Essa capacidade de colocar as coisas em contexto reduz muito os falsos positivos. Em vez de encher o time com milhares de alertas, sistemas inteligentes priorizam o que realmente importa.
Detecção precoce como vantagem competitiva
O relatório IBM 2025 mostra que empresas levam em média 241 dias para identificar e conter uma violação, o menor tempo em nove anos, mas ainda muito tempo. No Brasil, empresas que usam IA e automação enfrentam custos médios de R$ 6,48 milhões por violação, enquanto as que não usam veem os custos subirem para R$ 8,78 milhões. Diferença de 26%.
Cada dia que um atacante opera sem ser detectado aumenta o estrago. Detecção precoce não só reduz danos, permite resposta mais cirúrgica, minimiza interrupções e preserva mais evidências para investigação.
Empresas líderes em observabilidade reportam um benefício extra: melhor compreensão da própria infraestrutura. A visibilidade profunda necessária para segurança também ilumina oportunidades de otimização.
Construindo capacidade de resposta
Detectar é fundamental, mas responder bem é o que faz a diferença. Resposta automatizada pra ameaças conhecidas permite contenção em segundos: isola máquinas comprometidas, cancela senhas suspeitas, bloqueia comunicações maliciosas.
Para situações que exigem julgamento humano, ter contexto rico acelera decisões. Analistas recebem não só um alerta, mas uma história completa: quais sistemas foram acessados, quais dados foram tocados, qual foi a sequência, quais outras identidades podem estar comprometidas.
Essa combinação de automação para o óbvio e inteligência humana para o complexo cria o equilíbrio perfeito entre velocidade e precisão.
4. Proteção DNS: a primeira linha de defesa invisível
O DNS está em toda comunicação da sua rede e é justamente por isso que ele se tornou um ponto estratégico de segurança.
Em 2026, a proteção na camada DNS deixou de ser “mais uma ferramenta” para se tornar fundamento de qualquer estratégia de segurança moderna. Por quê? Porque ela atua no momento exato em que seus sistemas tentam se conectar com o mundo externo.
Por que DNS é tão importante para segurança
Toda vez que um dispositivo na sua rede tenta acessar qualquer coisa externa, seja um funcionário abrindo um site, seja um malware tentando falar com seu servidor de comando, acontece uma consulta DNS primeiro. Isso faz do DNS um ponto privilegiado pra observar e bloquear ameaças.
Pense assim: se um atacante conseguiu invadir uma máquina na sua rede, ele vai precisar se comunicar com a infraestrutura dele lá fora. Pode ser pra receber comandos, enviar dados roubados ou baixar outras ferramentas. E, pra fazer tudo isso, ele precisa resolver nomes de domínio. É aí que a proteção DNS entra.

O que a proteção DNS bloqueia na prática
- Phishing e sites maliciosos: Quando um funcionário clica em um link suspeito num e-mail, a proteção DNS identifica que aquele domínio é conhecido por phishing e bloqueia o acesso. O usuário nem chega a ver a página falsa.
- Comunicação de malware: Ransomware e outros malwares precisam “ligar para casa” para se comunicar com servidores de comando e controle. A proteção DNS mantém listas constantemente atualizadas de domínios maliciosos conhecidos e bloqueia essas tentativas de comunicação, travando a operação do atacante.
- Acesso a sites comprometidos: Mesmo sites legítimos podem ser hackeados e usados para distribuir malware. Inteligência de ameaças em tempo real identifica quando um domínio conhecido foi comprometido e bloqueia o acesso até que seja resolvido.
Por que DNS é tão eficaz
A grande vantagem da proteção DNS é que ela funciona para toda a rede, o tempo todo, em todos os dispositivos:
- Não depende de software instalado: funciona para computadores, celulares, tablets, dispositivos IoT, impressoras, qualquer coisa conectada.
- Trabalha 24/7: protege dispositivos dentro e fora do escritório, inclusive em trabalho remoto.
- Age rápido: bloqueia ameaças no momento da consulta DNS.
- Oferece visibilidade completa: você vê todas as tentativas de conexão externa da sua rede, criando inteligência sobre comportamentos e padrões.
Como DNS se integra com outras camadas de segurança
Proteção DNS não substitui outras ferramentas, ela se soma e potencializa. Quando integrada com SIEM, firewall e sistemas de detecção, ela cria uma camada extra de inteligência:
- Detecção de dispositivos comprometidos: Um computador fazendo centenas de consultas DNS estranhas pode indicar infecção.
- Mapeamento de ataque: Logs DNS ajudam a entender o que o atacante fez e a reconstruir a linha do tempo.
- Contexto mais rico: Juntar dados DNS com outras fontes facilita muito a investigação.
Soluções como o Lumiun DNS, por exemplo, oferecem essa proteção de forma integrada e inteligente, bloqueando ameaças conhecidas e detectando comportamentos suspeitos em tempo real.
O relatório Verizon 2025 mostra que credenciais roubadas são o vetor inicial mais comum, mas a jornada do atacante sempre inclui comunicação externa e aí está a oportunidade de interromper o ataque através do DNS.
Implementação prática por tamanho de empresa
Pequenas empresas: começar com proteção DNS é uma das melhores decisões. Você tem segurança robusta com investimento acessível e quase zero manutenção. Configura uma vez e ela protege tudo automaticamente.
Médias empresas: além do bloqueio básico, use análise de comportamento DNS para pegar anomalias. Integre logs DNS com seu SIEM para juntar os pontos. Use políticas diferentes por departamento ou tipo de usuário.
Grandes organizações: proteção DNS avançada com machine learning para pegar ameaças desconhecidas, análise profunda de padrões, integração completa com seu stack de segurança, e inteligência de ameaças personalizad perfil de risco da empresa.
5. IA na segurança: amplificando capacidades humanas
Inteligência artificial está transformando a cibersegurança de formas práticas e mensuráveis. A questão não é mais se adotar IA, mas como fazer isso de forma que amplifique o julgamento humano sem criar dependência cega ou novos riscos.
IA como acelerador de defesas
Machine learning permite analisar volumes de dados impossíveis de processar manualmente. Modelos treinados em terabytes de dados de rede e comportamento de sistemas identificam padrões sutis que indicam comprometimento antes que danos significativos aconteçam.
Empresas que implementaram análise comportamental com IA reportam detecção mais precoce e redução dramática em falsos positivos. Sistemas aprendem o que é normal para cada usuário, aplicação e fluxo de dados, sinalizando desvios que merecem atenção humana.
O relatório IBM 2025 documenta que empresas brasileiras com uso extensivo de IA e automação enfrentam custos de violação 26% menores: R$ 6,48 milhões contra R$ 8,78 milhões nas organizações sem essas tecnologias. Não são benefícios teóricos, são resultados reais medidos no mercado brasileiro.
Resposta automatizada com supervisão humana
Automação permite resposta rápida. Contenção de ameaças conhecidas acontece em segundos: isola máquinas, cancela senhas, bloqueia comunicações maliciosas. Isso libera os analistas pra focar em investigação profunda e decisões estratégicas.
A chave está na calibração certa. Sistemas automatizados devem ser confiáveis pra ações de baixo risco e alto valor: bloquear IP malicioso conhecido, desabilitar conta claramente comprometida. Decisões com maior impacto operacional ainda precisam de validação humana.
Essa divisão cria sinergia: velocidade da máquina com sabedoria humana. Analistas recebem contexto rico e automação cuida das tarefas repetitivas, permitindo que a expertise seja aplicada onde realmente importa.
Governança de IA como oportunidade
O uso crescente de IA generativa nas empresas cria necessidade de governança clara. Pesquisas mostram que 63% das organizações ainda não têm políticas adequadas para uso de IA. Essa lacuna é uma oportunidade: empresas que estabelecem governança estruturada ganham os benefícios de inovação mantendo controle sobre riscos.
Governança efetiva não significa proibir uso, significa orientar adoção com clareza sobre casos apropriados, proteção de dados sensíveis e responsabilidades. Empresas que fazem isso bem descobrem que políticas claras aceleram a adoção segura, em vez de limitá-la.
Como sua empresa pode evoluir em 2026
Transformar conhecimento em progresso real requer abordagem estruturada. As empresas mais bem-sucedidas tratam segurança como jornada contínua de melhoria, não projeto com data de término.
Priorizando por maturidade e contexto
A abordagem de segurança precisa ser proporcional ao estágio e recursos de cada empresa. Não existe receita única, o que funciona para uma multinacional pode paralisar uma pequena empresa, enquanto soluções básicas deixam grandes organizações expostas.
Para pequenas empresas, o caminho começa com fundamentos bem executados:
- Autenticação multifator universal
- Backups automatizados e testados regularmente
- Processos ágeis de atualização de sistemas críticos
- Cultura de conscientização em segurança
- Proteção DNS (veja tendência 4) — primeira linha de defesa com ótimo custo-benefício
Quando capacidades especializadas se tornam necessárias, mas inviáveis de manter internamente, serviços gerenciados de segurança oferecem acesso a monitoramento 24/7 sem os custos de uma equipe dedicada.
À medida que a empresa cresce, médias empresas enfrentam novos desafios:
- Gestão estruturada de identidades (humanas e não-humanas)
- Segmentação de rede inteligente
- Capacidade interna de resposta a incidentes
- Processos de avaliação de fornecedores
- Proteção DNS com análise comportamental e integração com SIEM
Grandes organizações, tendo consolidado essas capacidades, enfrentam desafios de orquestração:
- Implementação progressiva de Zero Trust
- Observabilidade avançada integrando múltiplas fontes
- Programas robustos de gestão de risco de terceiros
- Operações de segurança 24/7 com threat intelligence ativa
- Proteção DNS avançada com machine learning e detecção de ameaças zero-day.
Equilibrando tecnologia e pessoas
Ferramentas amplificam capacidades humanas, não as substituem. Investir proporcionalmente em tecnologia e desenvolvimento de pessoas cria sinergia onde cada elemento potencializa o outro.
- Treinamento técnico mantém expertise atualizada.
- Programas de conscientização transformam pessoas em linha adicional de defesa.
- Liderança que compreende segurança como questão estratégica garante apoio adequado.
Métricas que direcionam a evolução
KPIs efetivos medem resultados, não só atividades:
- Tempo médio para detecção (MTTD) e tempo médio para contenção (MTTC) mostram quão rápido você identifica e responde a incidentes.
- Percentual de ativos com cobertura completa de monitoramento.
- Visibilidade de identidades (humanas e não-humanas).
- Taxa de adoção de MFA, especialmente em contas privilegiadas.
- Percentual de fornecedores críticos com avaliação contínua.
- Taxa de identificação correta em simulações de phishing.
Segurança como habilitador de negócio
A cibersegurança evoluiu de função técnica pra motor estratégico. Clientes escolhem fornecedores que protegem dados. Parceiros valorizam integrações com empresas que levam segurança a sério. Investidores consideram maturidade em segurança ao avaliar riscos.
As tendências deste artigo, evolução de ataques de extorsão, centralidade de gestão de identidades, poder de observabilidade avançada, proteção DNS como primeira linha de defesa, e potencial de IA representam não só desafios, mas oportunidades de diferenciação.
Empresas que investem em segurança proativa constroem não só proteção contra ameaças, mas capacidades que sustentam inovação e crescimento.
Em 2026, liderança em segurança é liderança em negócio. A questão não é se sua empresa vai enfrentar desafios de segurança, mas quão preparada ela estará pra transformá-los em oportunidades de fortalecer operações, conquistar confiança e acelerar objetivos estratégicos.





